KLAUS SCHWAB EM "A GLOBALIZAÇÃO PRECISA DE UMA REFORMA"


"Para o fundador do Fórum Econômico Mundial, é preciso fazer com que a integração econômica global beneficie toda a população"


Por: Filipe Serrano

"O Alemão Klaus Schwab é conhecido por organizar o Fórum Econômico Mundial, que ocorre todos os anos na cidade de Davos, na Suíça, e reúne a elite empresarial e política do mundo. Desde 1971, o encontro promove o debate de grandes temas globais. Para Schwab, um liberal convicto, uma das grandes questões da atualidade é a necessidade de repensar a globalização. 'Os benefícios da globalização só serão sustentáveis se garantirem a igualdade de oportunidades', diz Schwab, que recentemente lançou no Brasil o livro A Quarta Revolução Industrial."

Filipe Serrano (EXAME): "Um relatório recente do Fórum Econômico Mundial estima que 5 milhões de empregos serão perdidos até 2020 por causa de novas tecnologias de automação. Como enfrenta esse desafio?"
Klaus Schwab: "O que estamos vendo é a evolução da revolução digital. Falo de áreas como a de inteligência artificial, as neurotecnologias e a impressão 3D. Essas tecnologias terão um impacto cada vez maior. É o que chamamos de a quarta Revolução Industrial. Como enfrentar o eventual desemprego que ela poderá gerar? Os governos precisam melhorar o ambiente de negócios, investir em educação e em políticas inclusivas."

Filipe Serrano (EXAME): "Como essa transformação poderá afetar os países emergentes, como o Brasil?"
Klaus Schwab: "O Brasil não está sozinho. Todos os países têm o desafio de garantir a prosperidade para toda a população. Não se pode descuidar dos fatores que servem de base para a competitividade: ter instituições transparentes e livres de corrupção, investir em infraestrutura e contar com um mercado em bom funcionamento."

Filipe Serrano (EXAME): "Alguns economistas dizem que a tecnologia digital não aumenta a produtividade. O senhor concorda?"
Klaus Schwab: "É verdade que a inovação das últimas décadas não trouxe ganho de produtividade. Mas acredito que isso mudará. Estamos prestes a ver um renascimento em termos de inovação."

Filipe Serrano (EXAME): "Se o senhor estiver certo, como será essa nova era?"
Klaus Schwab: "Já enfrentamos novos desafios em áreas como privacidade, criação de empregos e ética. Por isso, defendendo a ideia de uma nova revolução ideológica."

Filipe Serrano (EXAME): "Como seria essa revolução?"
Klaus Schwab: "Acredito que o capitalismo será substituído pelo 'talentismo', um sistema econômico com base no talento, e não no capital. Seus atributos serão mais liberdade individual, mais responsabilidade social, um processo de educação que dure a vida inteira inteira e mais respeito à diversidade."

Filipe Serrano (EXAME): "É possível pensar nesse cenário num momento em que a globalização perde força?"
Klaus Schwab: "O mundo hoje é diferente do período entre 1989 e o início desta década, quando a cooperação internacional floresceu. Os últimos anos foram marcados pelo crescimento do nacionalismo e por uma maior competição entre os países. Porém, isso não marca o fim da ordem liberal."

Filipe Serrano (EXAME): "A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia não é um sinal de fraqueza da globalização?"
Klaus Schwab: "O resultado do referendo marca um revés no processo de integração global das últimas décadas, cujo principal modelo é a União Europeia. Mas serve de lembrete de que os benefícios da globalização só serão sustentáveis se garantirem a igualdade de oportunidades para todos."


A entrevista acima foi retirada da revista EXAME - Edição 1124 - Ano 50 - nº 20, pág. 114. 26 de outubro de 2016. Todos os direitos autorais são reservados a revista EXAME e a Editora Abril.


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