MEIO AMBIENTE


"NA ONU, 175 PAÍSES ASSINAM ACORDO DE PARIS SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS"
"Número sem precedentes de assinaturas no mesmo dia mostra consenso sobre importância do tema"


Por: Marcelo Ninio
        ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK

"Para entrar em vigor, o documento precisa ser ratificado por ao menos 55 países; no Brasil, isso depende do Congresso.
'Um pacto com o futuro'. Assim o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, assinado nesta sexta-feira (22) por 175 países, incluindo o Brasil.
É um número sem precedentes de assinaturas em um acordo num mesmo dia, uma demonstração do consenso sobre a importância do tema, festejou Ban. Ele alertou, porém, que a mobilização de nada adiantará caso não sejam cumpridos os compromissos assumidos no pacto adotado há quatro meses na capital francesa, estabelecendo uma meta para conter a alta da temperatura global.
'Estamos batendo recordes nesta sala. Mas também há recordes lá fora. Temperaturas recordes, degelo recorde, níveis recordes de carbono na atmosfera. Estamos numa luta contra o tempo', disse Ban. Ele exortou os países signatários a não tardarem a ratificação do pacto para que ele possa entrar em funcionamento 'o quanto antes'.
O mês passado foi o março mais quente já registrado, segundo medições divulgadas nesta semana pela Agência Atmosférica dos EUA. Segundo o órgão, foi o 11º mês consecutivo com quebra de recorde de aumento da temperatura, confirmando a curva ascendente dos últimos anos.
Em seu pronunciamento, o secretário de Estado americano, John Kerry, lembrou que 2015 foi o ano mais quente da história. 'A urgência deste desafio só fica mais pronunciada', disse Kerry, que assinou com a neta Isabelle, 2, no colo. A série de discursos foi encerrada pelo ator Leonardo Di Caprio, alvo de intensa tietagem."

"VIGÊNCIA"

"Para entrar em vigor, o Acordo de Paris precisa ser ratificado por ao menos 55 países que representam no mínimo 55% das emissões globais de gases poluentes.
Os demais países terão até 17 de abril de 2017 para assinar o pacto. China e Estados Unidos, os maiores emissores de gases poluentes do mundo (quase 40% do total), se comprometeram em ratificar o acordo ainda neste ano.
No Brasil, a ratificação exige a aprovação nas duas casas do Congresso.
Outro desafio é o financiamento para o combate ao aquecimento global, que foi um dos principais entraves em Paris para a conclusão do acordo, já que os países em desenvolvimento exigiam uma contribuição maior dos desenvolvidos. No fim, os países ricos reiteraram o compromisso com uma ajuda anual mínima de US$ 100 bilhões (R$ 358 bilhões) às nações mais pobres.
Anfitrião da Conferência do Clima de Paris, o presidente da França, François Hollande, foi o primeiro mandatário a discursar e a assinar o acordo. Ele destacou a importância de cumprir com o financiamento prometido. 'Precisamos transformar as palavras em ações', afirmou."


"Um a um, representantes de dezenas de países se revezaram no pódio da Assembleia Geral da ONU, que viveu um dia de celebração, com direito a músicas e uma apresentação de crianças.
Em meio ao otimismo, ambientalistas advertiam que, embora o acordo seja um marco histórico, ele só terá efeitos se os países signatários tiverem capacidade de deixar velhos hábitos e mudar a matriz energética, abandonando os combustíveis fósseis.
'Não se vence a mudança climática com um pedaço de papel', disse Rhea Suh, presidente do grupo ambientalista Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. 'Precisamos deixar para trás a era dos combustíveis jurássicos, de uma vez por todas, e avançar para um futuro com formas mais limpas e inteligentes de energia'."


"DISCURSO DE DILMA FOI POUCO AMBICIOSO, DIZ AMBIENTALISTA"

"Do pódio da Assembleia Geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff falou durante pouca mais de sete minutos, a maior parte deles dedicada a exaltar a importância do Acordo de Paris e o papel do Brasil no sucesso das negociações.
Segundo assessores, ela ficou acordada até tarde da noite anterior finalizando o discurso, em que ressaltou os 'resultados expressivos' que Brasil e outros países em desenvolvimento têm apresentado na redução de emissões.
'Meu país está determinado a intensificar ações de mitigação e de adaptação. Anunciei aqui mesmo, durante a Cúpula da Agenda de Desenvolvimento 2030, a contribuição brasileira de 37% de redução de efeito de estufa até 2025, assim como a ambição de alcançarmos uma redução de 43% até 2030, tomando 2005 como base em ambos os casos'.
Alfredo Sirkis, ex-deputado federal pelo Partido Verde, acompanhou o discurso da presidente e ficou decepcionado. Ele disse que o Brasil deveria apontar metas mais ambiciosas.
'Ela poderia ter especificado o que está sendo feito concretamente, mas o fato é que a governança no Brasil está num estado tão caótico que fica difícil avançar'.
Sirkis, atual diretor-executivo do Centro de Estudos Brasil no Clima, disse ainda que teria sido desejável que a presidente apontasse 'um horizonte' para a ratificação do Acordo de Paris, como fizeram países como a China e EUA, mas reconheceu que a crise política torna isso bastante difícil."


Notícia retirada da FOLHA DE S. PAULO - EDIÇÃO DIGITAL - Ano 96 - nº 31.797, pág. A14. Mundo. 23 de abril de 2016, sábado (Acesso: 23/04/2016)

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