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"EM ÁGUAS MAIS CALMAS"
"A rápida libertação marinheiros americanos capturados no Golfo Pérsico permite entrever as disputas internas no governo iraniano - e a ansiedade para acabar com as sanções"


Por: Diogo Schelp

"Para os políticos republicanos, imersos numa agressiva pré-campanha presidencial, as imagens de dez integrantes da Marinha dos Estados Unidos de joelhos e com os braços erguidos, divulgadas pelo Irã, são mais uma prova de que o governo de Barack Obama se rendeu ao regime dos aiatolás desde a assinatura do acordo que suspende, mas não desmonta, o programa nuclear persa e que deve ser implantado nesta semana. Os críticos dessa negociação dizem que Teerã só fechou a torneira da fabricação da bomba atômica e que a qualquer momento pode reabri-la. Eles têm razão nesse ponto, mas se esquecem de que as outras opções eram aceitar que o país possuísse um arsenal nuclear em questão de meses ou, no extremo oposto, iniciar mais uma desastrosa guerra no Oriente Médio.
O episódio da captura dos marinheiros americanos, que entraram por engano com duas embarcações em águas iranianas do Golfo Pérsico, na terça-feira passada, e foram libertados já no dia seguinte, demonstra quanto o Irã está desesperado para ver implantação rápida do acordo nuclear. Em outros tempos, a prisão de militares do 'Grande Satã' se estenderia por semanas e seria usada exaustivamente para propaganda interna e espezinhamento externo. Mas o presidente iraniano Hassan Rohani está mais interessado em obter logo o fim das sanções internacionais, o que lhe permitirá pôr as mãos em 100 bilhões de dólares em fundos congelados e retornar sem restrições as exportações de petróleo. Que Rohani tenha conseguido convencer a Guarda Revolucionária, com a qual seu grupo político disputará eleições parlamentares em fevereiro, a libertar os americanos demonstra que alguém ainda mais poderoso - o aiatolá Ali Khamenei - pensa, por ora, como ele."


A matéria acima foi retirada da revista VEJA - edição 2 461 - Ano 49 - nº 3, pág. 24. 20 de janeiro de 2016. Todos os direitos autorais são reservados exclusivamente à revista VEJA e a Editora Abril.


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