HISTÓRIA:
VESTIBULAR E ENEM



O Enem e os vestibulares estão chegando, e junto com eles, as temidas provas que englobam e requerem muito conhecimento sobre os mais diversos assuntos e disciplinas. A história é uma delas. Aliás, uma das mais importantes. Por isso, para ajudar você ainda mais em seus estudos, à partir de agora, o Conhecimento Cerebral irá disponibilizar gratuitamente, os assuntos mais importantes dessa disciplina com o conteúdo didático, baseado na atualidade, do Guia do Estudante (GE)O material será dividido em capítulos, de acordo com o livro GE - História: Vestibular e Enem 2018, e ao final de cada um deles, serão disponibilizados exercícios para que você treine e memorize o que foi aprendido, preparando-se para os vestibulares e concursos públicos. O Conhecimento Cerebral agradece e deseja bom estudo!


CAPÍTULO 3: IDADE MODERNA - EXPANSÃO MARÍTIMA E COLONIZAÇÃO DA AMÉRICA


NAVEGAR É PRECISO
Impulsionadas pelo mercantilismo, as grandes navegações resultaram numa importante revolução comercial e na formação de vastos impérios coloniais


A expansão marítimo-comercial compreende o período das grandes viagens empreendidas pelos países europeus nos séculos XV e XVI. A principal motivação das grandes navegações foi a busca por uma rota que evitasse o Mediterrâneo, com o objetivo de quebrar o monopólio do comércio de especiarias exercido por Gênova e Veneza, que controlavam a entrada dos produtos vindos do Oriente. Além disso, a Europa vivia um momento de esgotamento das minas de metais preciosos, o que provocava uma sede de ouro. Portugal e Espanha foram os primeiros países que reuniram as características para lançar-se ao mar: um Estado centralizado, geografia favorável e tecnologias apropriadas como navios, mapas e instrumentos de navegação.

EXPANSÃO PORTUGUESA

Em 1385, João I venceu a disputa com o reino de Castela e assumiu o trono de Portugal na Revolução de Avis, concretizando a centralização monárquica. A conquista de Ceuta (Marrocos) marcou o início da expansão portuguesa, em 1415. Em 1488, Bartolomeu Dias contornou o cabo da Boa Esperança. Dez anos depois, Vasco da Gama chegou à Itália. Em 1500, a expedição de Pedro Álvares Cabral aportou no Brasil. Os portugueses estabeleceram diversos pontos de comércio nos locais em que paravam, criando, assim, seu império marítimo-comercial, que, a princípio, só tinha objetivos de exploração, não de povoamento.


EXPANSÃO ESPANHOLA

Ocupados com a unificação dos reinos locais de Aragão e Castela, que ocorreu em 1469, e com a expulsão dos árabes, na Guerra da Reconquista, que só se concluiria em 1492, os espanhóis começaram sua expansão marítima mais tarde.

Em 1492, a Espanha aprovou o plano de Cristóvão Colombo de chegar ao Oriente indo rumo ao Ocidente. No meio do caminho, no entanto, o navegador deparou com a ilha de Guanaani, atualmente parte das Bahamas. Mais tarde, o episódio ficaria conhecido como o descobrimento da América. Porém, até então, pensava-se que as terras faziam parte da Ásia. Sendo assim, Portugal reivindicou os direitos sobre as áreas descobertas, e, em 1494, as potências assinaram o Tratado de Tordesilhas, dividindo entre si as terras já conhecidas e as que ainda seriam descobertas por meio de uma linha imaginária (veja no mapa acima).  

Apenas nos primeiros anos do século XVI a existência do novo continente seria confirmada pelo navegador florentino, a serviço da Espanha, Américo Vespúcio.

FORMAS DE COLONIZAÇÃO

Após a chegada do Colombo, as potências ultramarinas começaram a se instalar na América e exploraram internamente os nativos e quase a totalidade das terras durante cerca de três séculos, o que resultou em um vigoroso fluxo de riquezas para a Europa.

As colônias europeias dividiam-se, de maneira geral, em dois tipos:
  • Exploração: voltadas para o abastecimento do mercado europeu, caracterizavam-se pela grande propriedade, pela monocultura e pelo trabalho escravo. Além de agricultura, praticava-se intensa extração de metais. Nessas regiões, valia o pacto colonial, segundo o qual a colônia só podia vender sua produção à metrópole - a preços reduzidos - e dela importar aquilo de que precisasse - com altos valores. Esse era o tipo de colonização empregado pela Inglaterra (na porção sul de sua colônia) e por Espanha e Portugal.
  • Povoamento: foi implementado na parte norte da colônia inglesa, onde o clima não permitia o cultivo de itens diferentes dos plantados na Europa. A produção era voltada para o consumo interno, com o predomínio de pequenas propriedades, policultura e mão de obra familiar.
ESPANHÓIS

A colonização espanhola teve início com a ocupação das ilhas do Caribe. Em 1531, o México foi dominado, e a população asteca, devastada. No Peru, a conquista do Império Inca começou em 1932. No fim do século XVI, a Espanha já havia tomado posse da maior parte de sua colônia americana. Os nativos foram exterminados por doenças e guerras ou obrigados a servir como mão de obra.

Para organizar a exploração, a Espanha criou a Casa de Contratação, que controlava o comércio entre Espanha e América e punia quem tentasse burlar o monopólio. A terra foi dividida em quatro vice-reinos - Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Rio da Prata - e em capitanias - as principais eram as de Cuba, Flórida, Guatemala, Venezuela e Chile.

A principal atividade econômica era a extração de metais preciosos, principalmente no Peru e no México. A mão de obra indígena era explorada por meio da mita - regime de trabalho forçado que durava quatro meses ao ano. A prática também era aplicada à agricultura, que recebia o nome de encomienda.

A estrutura social da América espanhola era dividida em chapetones (espanhóis que cuidavam da administração; criollos (descendentes de europeus que formavam a aristocracia local e exerciam o controle das câmaras municipais - também conhecidas por cabildos ou ayuntamientos); mestiços (artesãos ou capatazes, sempre com cargos intermediários na escala produtiva); negros escravos (trabalhavam geralmente nas lavouras); e índios (em maior número e mais explorados, os nativos estavam na base da pirâmide social, junto com os negros).


O clero católico que foi para a América condenava a exploração dos índios. Para amenizar o sofrimento indígena, os eclesiásticos criaram as reduções - espaços nos quais os nativos eram catequizados, alfabetizados e se dedicavam à agricultura. Quanto ao escravo negro, a Igreja pouco se manifestou.

INGLESES, FRANCESES E HOLANDESES

No século XVII, os ingleses decidiram ocupar o vazio deixado na América do Norte pelos espanhóis - a quem a terra pertencia, segundo o Tratado de Tordesilhas. Para iniciar a sua colonização na América, a Inglaterra criou a Companhia de Plymouth, para cuidar do norte, e a Companhia de Londres, responsável pelo sul. Ao todo, foram fundadas 13 colônias ao longo da costa. 

O norte foi habilitado por refugiados políticos e religiosos - protestantes calvinistas. Alguma atividade manufatureira era tolerada pela metrópole na região, que cresceu economicamente e passou a escoar o excedente para os mercados do sul. Mais tarde, criou-se o comércio triangular: mercadores da colônia fabricavam rum, que era trocado por escravos na África; estes, por sua vez, eram vendidos no Caribe e nas colônias do sul. Nestas últimas, foi implantado um esquema de monocultura algodoeira, destinada à exportação, com uso de mão de obra escrava trazida da África.

França e Holanda também marcaram presença na América, colonizando parte das Guianas e das ilhas do Caribe. Ambas também ocuparam durante determinado tempo terras brasileiras. A França ainda fundou, na América do Norte, Québec e Montreal - atualmente no Canadá.

CONSEQUÊNCIAS

Além de resultar na descoberta de novas terras e rotas comerciais e na formação de enormes colônias, as grandes navegações alteraram profundamente a sociedade europeia. O Velho Mundo se tornou o centro de um comércio que interligava quatro continentes. A diversificação dos produtos e o aumento dos valores negociados proporcionaram um enriquecimento maciço das burguesias - essas mudanças ficaram conhecidas como Revolução Comercial.


Págs. 46 e 47 (GE: HISTÓRIA: VESTIBULAR+ENEM 2018)

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